domingo, 6 de maio de 2012

MANUSCRITO

Querido manuscrito,
Fiel depositário dos íntimos segredos de minha alma.
Depois de Deus, foste tu o meu fiel confessor, o espelho do meu ser.
O mundo não me conhece; tu, sim.

E eis que a ti me apresento tal como sou, com as minhas fraquezas.
Para contigo, sou homem; para a sociedade, um missionário.
Muitos me julgam impecável.
Por que me pedirão o impossível?

Por que exigir do simples homem a força do gigante;
Quando não passa de pigmeu igual aos seus semelhantes?

Não sou virtuoso, não; mas sou razoável, essencialmente racionalista.
Não busco a santidade, mas o progresso, porque, em suma, que é a santidade na Terra, segundo a consideram as religiões?
É a intolerância de um homem por si mesmo, é o aniquilamento do seu corpo, é a postergação de todas as Leis Naturais!

Poderá tal santidade ser grata aos olhos de Deus?
Acaso se comprazerá Ele vendo seu filho lutar como uma fera sedenta contra si mesmo?

Bruno Gomes.
04/05/2012

* Inspirado na obra "Memórias do Padre Germano".