quinta-feira, 1 de março de 2012

(DES)RESSENTIMENTO

Quando um afeto torna-se um desafeto
Empreende todos os esforços por mantê-lo no coração
Busca-o e, humildemente, pede perdão por tuas faltas
Confessando-te falível e não isento de defeitos

Ao teu turno, desculpa também as ofensas recebidas
As palavras e agressões vindas no momento do embate
Ouve com compreensão e simpatia os motivos do outro
Como também precisa destas virtudes para com as tuas razões

Todavia, se o ex-afeto se nega ao diálogo conciliador
Obstinando-se contra o reencontro reparador do mal-entendido
Preferindo permanecer mergulhado na mágoa e no rancor
Os últimos recursos disponíveis são o silêncio e a oração

Dói dormir sabendo-se não querido por alguém
E ser alvo de ironias, hostilidade e desdém gratuitos
Mas uma vez que fizestes tudo o possível pela reconciliação
Permaneces, pois, com a consciência calma e tranqüila

Ores sinceramente em favor do outro e permaneces sempre aberto
Nunca se opondo ao retorno a amizade e a convivência sadias
Não se permitindo qualquer sentimento infeliz para com ele
E deixando ao tempo a tarefa de colocar tudo no seu devido lugar

Jesus também foi alvo de antipatias e dores morais
Não se surpreenda, portanto, que o mesmo lhe aconteça
Mas permanece como Ele, com os braços sempre estendidos
Para o retorno do (des)afeto como irmão, colega, amigo

Bruno Gomes
01/03/2012