quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O JARDIM DO PRÍNCIPE

Certo dia, ao sair pelos portões principais do seu castelo, um príncipe foi tomado por grande espanto. A mais bela roseira do seu formoso jardim estava murchando. Ao aproximar-se dela, ele perguntou: Querida roseira. Você era a planta mais preciosa do meu jardim. Por que você está perdendo a sua beleza? Caso continue nessa atitude, muito em breve você morrerá.
A roseira respondeu: Estou morrendo porque não consigo ser tão alta quanto o carvalho. Olho para ele e o vejo tão grandioso, quase tocando os céus. Os pássaros fazem casas nos seus longos braços. E isto faz-me entristecer-me. Não tenho mais alegria de viver.

O príncipe então olhou para o carvalho. Mas para a sua grande surpresa, ele também estava morrendo. O seu troco estava curvado e os seus galhos sem folhas. O príncipe acercou-se dele e interrogou: Querido carvalho. Você era antes tão majestoso, erguia-se ereto sobre todo o meu jardim. Por que você está perdendo a sua força? Onde está toda a sua glória de outrora?
O carvalho respondeu: Estou enfraquecido pelo fato de não poder produzir flores perfumadas como a roseira. O aroma que ela exala atrai todos os animais para a sua sombra. A sua beleza faz com que, mesmo tendo espinhos, todos sintam-se encantados ao tocá-la e sentir a sua suavidade.

O príncipe se afastou e pôs-se a meditar a respeito do que estava acontecendo no seu jardim. Nesse momento, ele viu que, da fresta de uma rocha, havia nascido uma pequenina flor. Mas apesar do seu tamanho, ela possuía um aroma raro que impregnava todo aquele que por ela passasse. As suas pétalas eram multicoloridas e brilhavam ao serem tocadas pelo sol.
Ao vê-la, o príncipe sorriu e perguntou: Querida flor. Ainda me lembro do dia em que plantei a sua semente sobre esta rocha. Mas não achei que você iria vingar. Afinal, você estava sobre um terreno áspero e ninguém iria vê-la e admirá-la. No entanto, você exterioriza vida abundante. Como entender isso?

Ao que a flor respondeu: Bem, majestade. Se você me plantou, é porque achou que eu poderia ser útil em minha pequenez. Eu sei que não sou tão conhecida como a roseira e nem tão alta quanto o carvalho. Entretanto, uma vez que estou aqui, é porque há um bom motivo. Dessa forma, não me compararei com elas, tentando ser melhor ou pior que as outras plantas. Apenas tenho me esforçado por ser tudo aquilo o que posso ser.

Bruno Gomes
21/09/2011

Baseada em uma parábola contada por Antônio Alencar na Semana da JEPE 2011.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A PIANISTA

Jovem e solitária pianista
Sozinha sobre o palco dos seus sonhos
Sem ovações, honras ou aplausos, emoção mista
Amada apenas quando parte em sorriso tristonho

Meditando sobre o silêncio para aprender a música
Juntando-se aos pecadores para adquirir inocência
Compondo canções inspiradas na maior da sua dor última
Escrevendo melodias nascidas da pureza da sua essência

Realizando estudos sobre longas noites de inverno
Através dos belos dias de primavera de tempos imemoriais
Ao fundo do teatro, deitada a sós no jardim eterno
Coberta por flores, contemplando a profundeza dos céus lustrais

Doce piano, obedece aos seus dedos finos e ágeis
Encantando, criando delicados aromas de sons
Perfumes desconhecidos, claridade e cores inefáveis
Harmonia inebriante, misto de prazer e misteriosos tons

Entre labaredas de fogo, melodia e constelações
Suas notas ecoam em mim como tremores e mil trovões

Bruno Gomes
31/03/2011