domingo, 10 de junho de 2012

NECESSIDADE DO EXEMPLO

Certa feita, Kasturba, a esposa de Gandhi, resolveu levar a presença do seu marido um velho amigo cuja saúde muito a preocupava. Sendo um senhor de idade avançada e não seguindo os conselhos médicos para diminuir a quantidade de sal na sua alimentação, a senhora Gandhi decidiu levá-lo para aconselhamento junto ao seu esposo, confiante que estava na energia contagiante e na palavra sábia do líder, que a todos sempre tocava.

Logo após uma das suas longas meditações, Gandhi recebeu a parceira acompanhada do amigo que, ensimesmado, comparecia àquele encontro.
Quebrando o silêncio, a senhora Gandhi falou: "Eis aqui o amigo teimoso do qual te falei. Tendo a saúde abalada por causa da grande quantidade de sal que ingere, ele se nega a passar por uma reeducação alimentar. Assim, resolvi trazê-lo aqui para que você, com a autoridade dos seus exemplos, o persuada a tal cometimento."
Todavia, para grande surpresa da sua esposa, Gandhi estranhamente empalideceu. Silenciou por alguns momentos e, frustrando todas as expectativas, respondeu timidamente: "Por favor, voltem daqui há um mês."

Algo contrariada, Kasturba retirou-se e esperou um mês para retornar com o amigo.
Ao reencontrar-se com o esposo, passados os 30 dias, a postura dele em relação a necessidade do enfermo foi totalmente inversa.
Gandhi falava, entusiasmado: "Senhor! Para o seu próprio bem, diminua a quantidade de sal na sua alimentação, a fim de que você possa adquirir maior qualidade de vida, sendo útil aos seus semelhantes!" 
E, por longo tempo, dialogou eloqüentemente com o homem, logrando finalmente convencê-lo.

Ao final da conversação, após a saída do amigo, a senhora Gandhi questionou o marido, confusa: "Não entendi a sua postura. O problema do meu amigo era o mesmo que o do mês passado. Logo, você poderia ter dado a mesma resposta que o ofereceu hoje. Por que você nos fez esperar todo esse tempo?"
Ao que Gandhi concluiu: "É que no mês passado eu também comia muito sal."

Bruno Gomes
09/06/12

* Inspirado em um fato real.

2 comentários:

Ricardo Dib disse...

A história é interessante, porém exagerada. Digo isso porque se eu estou diante de um diabético, eu falo pra ele não comer mais açúcar, sem que com isso eu pare de comer açúcar. Isso porque não tem problema pra mim, mas pra ele tem.
Acho que não precisamos ser perfeitos pra dar uma orientação pra alguem. Eu bebo, mas se eu ver um amigo exagerando na bebida, eu falo pra ele pegar leve ou em caso extremo, parar.

Abraço..

Bruno Gomes disse...

Verdade, Dibão.
O Gandhi é um exemplo máximo demais para usarmos como parâmetro para nós mesmos.
Como bem disse Einstein sobre ele: "As gerações futuras terão dificuldade de imaginar que um ser assim era feito de carne e ossos."

Mas não podemos negar que a palavra caminhando ao lado do exemplo se torna mais poderosa.
Se a palavra convence e o exemplo arrasta, a união dessas duas coisas deve fazer uma boa bagunça, hein?!

Abraço!