quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O POETA ESPANTALHO

Poemas vazios que jazem em folhas secas, brancas
Versos pobres de singeleza, encanto e singela esperança
Letras garrafais da mente lúcida, translúcida
Que viajam por mãos pedintes, avaras, astutas

Escreve o que vive e, talvez, o que sonha
Infrene, solícita, em dor, melodia risonha
Mergulhando no oceano dentro de si, artimanha
Olhos virados para dentro, em silêncio, alcança

Sílabas que caem doces do ar, flutua, me ensina
Juntas, separadas, misturadas, em rima
Um sentido não-sentido, sentindo, minha sina
Bailando ao meu redor, ingênua, bela, menina

Frases desorganizadas, altivas, atônitas
Orquestra de verbos desafinados, desarticulados, sinfônica
De amores não-amados, de beijos não dados
Por corações alados, em sutis toques roubados

Tudo o que eu queria era tornar-me algo bonito
Através do amor, do estertor, do infinito
Pela natureza, pela claridade, pela divindade
Escravizado sem correntes, libertado sem saudade

Mas ainda assim escrevo páginas, capítulos, livros
Que deverão ser construídos, revisados, vividos
Mesmo que recusados, cassados, queimados
São todos meus, sem nome, palhaço, espantalho

Rei sem coroa, ator sem palco, poeta sem pena
Vagando em vida, nua, desnuda, pequena
Contemplando luas, ruas, estradas, cenas
E não encontrando um fim retórico para os seus poemas

Vivendo ilusões, vestindo rasgados calções
Regando flores com lágrimas, entoando antigas canções

Bruno Gomes
25/02/2011

Um comentário:

PapoBacana disse...

meu amigo poeta..
cada dia mais lindos seus textos..
pena que os brasileiros não são dados a ler..
não sabem o que estão perdendoo..

beijoo