sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

O GURU INÚTIL

Uma conhecida parábola oriental fala de uma senhora viúva que resolveu abrigar um sábio guru no quintal da sua residência.
Verificando a necessidade daquele homem piedoso, deu-lhe comida, abrigo e tranqüilidade para que cumprisse a sua rígida rotina de meditações objetivando a iluminação.

Certa feita, desconfiada sobre a integridade do guru, a senhora resolveu aplicar-lhe uma prova.
Contratou a preço de cinco moedas de ouro uma belíssima bailarina, vendedora de ilusões e dedicada ao comércio do corpo, para aferir a resistência do homem santo.

Na noite aprazada, a jovem adentrou o interior da cabana, tentando incendiar os apetites carnais do guru com a sua beleza e sensualidade.
Bailou, despiu-se, o tocou e o provocou, mas o homem mantinha-se impassível e imperturbável em seu superior estado de plenitude.

Então, após três noites, ela desistiu e retornou até a senhora dizendo: Desculpe-me, mas eu tentei conquistar o guru de todas as maneiras possíveis e ele não cedeu. Ele realmente é um homem santo.

Intrigada, a hospedeira do guru indaga: Mas ele não fez nada, não lhe disse algo?
- Nem mesmo uma só palavra, respondeu a jovem.
- Então toma as tuas moedas. Você fez a sua parte, finalizou a senhora.

Inusitadamente, a viúva tomou de uma larga vassoura e seguiu aos gritos em direção à cabana, assustando a vizinhança que conhecia o carinho e a benevolência com o qual tratava o meditador.

Em lá chegando, espancou o homem, destruiu a cabana e o expulsou, dizendo em alta voz para que todos a ouvissem: Testei esse homem através da luxúria. Ele resistiu por três noites ao apelo de atraente e sedutora jovem, permanecendo em estado de orações, e quanto a isso eu o aplaudo. Porém, suas práticas são de nenhuma utilidade para o mundo, porque ele nada disse àquela jovem que pudesse servir de orientação e força na restauração de um caminho novo e digno. Se é um homem de Deus, deveria agir pelo bem e não somente evitar o mal.

Bruno Gomes.
13/01/2012

Baseado em um conto do livro Laços de Afeto de Ermance Dufaux.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

ODEIA-ME OU AMA-ME?

Desejaria apoderar-me de ti e estraçalhar-te
Reduzir-te em mil pedaços, queimar-te e extinguir-te
Tornar a tua lembrança sobre a Terra uma lenda, um mito
Um sonho ruim do qual se acorda para não mais recordar

Precipitar-te nas profundezas do oceano para que habites os abismos
Para sempre longe da vida e dos olhos humanos
Torturar-te como me torturas, maltratar-te como me maltratas
Afundar-te no rio de lágrimas que verto por causa de ti

Mas tudo isso apenas a ti me assemelharia
Oh, odiosa e inditosa sensação
Cruel destruidora das alegrias e da paz
Terrível verdugo meu, pergunto-te: odeia-me ou ama-me?

Bruno Gomes
11/01/2012