quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O MENINO DE OURO

Curioso quando alguém fala que você é um menino de ouro.
Na verdade, ninguém deveria falar isso para outrem: "Você é um(a) menino(a) de ouro."
E o motivo é muito simples: a vida não pode ouvir isso, pois ela é extremamente exigente com pessoas de ouro.
Ela está sempre à espreita, à procura de meninos(as) de ouro para torná-los(as) ainda mais valiosos(as).
O objetivo dela é certamente louvável, sem dúvida. Mas a forma utilizada por ela nem tanto...

Afinal, uma vez que ela julga que você é um "ser de ouro", isto significa (para ela) que você já está preparado para passar por determinados desafios que outras pessoas, que supostamente não são de ouro, ainda não estão prontas para experimentar.
A vida simplesmente pensa: "Ora, ele(a) é um(a) menino(a) de ouro. Dessa forma, já podemos fazê-lo(a) passar por certos obstáculos para que ele(a) cresça ainda mais."

Desse modo, nunca fale a alguém que ele(a) é um(a) menino(a) de ouro.
Pois nós estamos longe de ser meninos(as) de ouro. E muito menos estamos prontos para vivenciar todas essas provas extras.
Nós somos no máximo pedras brutas, folheadas por algo que nem é tão puro assim como pensam.

Mas como dizer isso para a vida, uma vez que as outras pessoas já disseram o contrário antes?
Como dizê-la: "Olha só, pega leve comigo, pois as pessoas estão equivocadas a meu respeito. Eu tenho mais de boa-vontade do que de pureza propriamente dita."

Mas ai as pessoas vêm e falam: "Você é um menino de ouro!"
Psiu, cala a boca!
A vida tem ouvidos de tuberculoso e é por demais exigente!

Ademais, o que você entende sobre ouro? Você é um ourives?
Será que você não está julgando o espírito alheio pelo brilho opaco da casca que o envolve?
Há outras formas de estimular o crescimento de alguém: estando ao lado dele(a) em momentos difíceis, o velho tapinha no ombro, um sorriso motivador...

De qualquer forma, diga o que digam, não podemos ser nem mais nem menos do que somos. Só nos resta ser nós mesmos de uma forma honesta.
Com os nossos defeitos, nossos medos e inseguranças... mas repletos de boa-vontade para crescer.

Valorizando aquilo que gostaríamos de ser, mas também valorizando o que já conseguimos deixar de ser.
Não neurotizados naquilo que não deveríamos mais fazer, mas focados no que já devemos estar fazendo, com os valores que já conseguimos amealhar.
Querendo ser melhores e não "os melhores".

E quem sabe essa pedra rude, lapidada pelas provas extras enviadas pela vida, se transforma em algo realmente valioso?
Talvez esse valor não seja o de uma pepita de ouro propriamente dita, mas o de uma pedra com uma beleza singular, única, daquelas que você encontra na beira da praia e fica contemplando...

Bruno Gomes
19/10/2011

4 comentários:

divagando idéias disse...

eu sou uma menina de prata.
xD

Ricardo Dib disse...

Eu sempre digo que não sou de ferro, quanto mais de ouro!

Dilly Monnete' disse...

Alguém tem um tampão de ouvidos pra emprestar à Sra. Vida ? Tem muita gente que é "de ouro" por aí .
Gostei muito de sua reflexão (:
E também da alusão com as pedras na beira da praia , que são únicas em sua beleza , e belas em sua singularidade .
Um abraço , e até breve (:

Thais Lima disse...

Boa noite Bruno, quanto tempo não passo por aqui não é ? Deixei meu blog um pouco de lado, mas sempre que tenho um tempinho posto algum texto.
Mas enfim, como sempre adoro seus textos, muito bem escritos e objetivos, serve para muita aprendizagem e reflexão. Parabéns!
É como diz uma frase também : '' Nem tudo que reluz é ouro'' e na maioria das vezes costumamos julgar pela capa.
Acredito que a beleza das coisas, e o verdadeiro valor esteja apenas dentro de si, e nas pequenas coisas que as vezes passam despercebidas.

Boa semana pra você! Beijos Bruno!