quarta-feira, 8 de junho de 2011

PODER E DEVER

"Nem tudo o que eu posso fazer, eu devo fazer;
E nem tudo o que eu devo fazer, eu posso fazer."

Esse é um conceito conhecido por todos e aparentemente fácil de ser colocado em prática, não é mesmo?
Em uma análise superficial, não nos parece ser necessária uma profunda filosofia para compreendê-lo.

Por exemplo:
Eu posso andar pelado pela rua? Posso, sem dúvidas. Nada me impede de sair sem roupas por aí.
Mas eu devo fazer isso? Certamente que não. Além de ser algo totalmente inoportuno, essa atitude poderia me trazer sérias conseqüências legais. Afinal de contas, isso é um grave atentado ao pudor.
Por outro lado, eu devo fazer um mestrado? Obviamente que sim, pois é sempre bom se aprimorar profissionalmente e aprender coisas novas no seu campo de estudos.
Mas eu posso fazer isso agora? Não, pois me falta o dinheiro para isso, o que torna o plano inviável, pelo menos no momento atual.

Aplicar essa teoria no cotidiano parece simples, sem maiores complexidades. O problema não estar no entendimento da idéia, mas sim no saber criar os critérios que irão reger o nosso comportamento baseado nela.
É neste ponto onde se encontra toda a confusão, pois é necessária uma boa dose de coerência para estabelecer as diretrizes da nossa ação.

Afinal, quem não tem o bom-senso para fazer esse exame da forma correta, costuma fazer o que pode quando não deve e o que deve quando não pode, e isso enrola a vida de qualquer pessoa.
Pois nesse paradoxo do poder e do dever, é indispensável certa habilidade para saber:
- Diferenciar o "querer fazer" do "ser conveniente fazer";
- Reconhecer o "desejar realizar" do "quando realizar".

Uma das coisas que mais dificulta essa apreciação é que, muitas vezes, nós não sabemos o que realmente queremos, quanto mais distinguir o momento apropriado para tentarmos atingir os nossos objetivos.
Seria muito bom que pudéssemos viver só das nossas boas intenções, mas é importante verificar se elas são compatíveis com as circunstâncias e momentos nos quais nos encontramos, a fim de evitar que vivamos exclusivamente de ilusões e utopias.

Você pode viver esperando a pessoa perfeita chegar à sua vida. Mas não deveria fazer isso, pois assim como você não é perfeito(a) para atender todas as expectativas afetivas de alguém, não há ninguém no mundo que possa satisfazer 100% das suas.
Você deve pensar que existem pessoas boas colaborando para um planeta melhor. Mas não pode achar que não há algumas más ao lado delas. O que nos leva a concluir que, se não precisamos ficar o tempo todo com o pé atrás, ao mesmo tempo não devemos ser demasiadamente ingênuos.

O que nos sobra no final das contas?
Começarmos o processo de nos auto-conhecermos melhor, para bem compreendermos a abrangência desse pensamento que, se por um lado, é singelo, por outro, demanda um alto grau de sabedoria para saber usá-lo sempre a nosso favor.

Bruno Gomes
08/06/2011

9 comentários:

LUZ disse...

Olá meu querido amigo Bruno,

Seja bem vindo à escrita! Eu, e todos os outros seguidores, sentíamos a tua falta.
O teu texto, mais uma vez, faz pensar. Sabes, o equilíbrio nas nossas vidas é o mais importante.

Abraços com luz.

Mariane Magno disse...

Muito bom o texto Bruno e por mais que seja algo 'aparentemente' fácil na teoria colocá-la em prática é muito complicado, pois perceber diferenciar e saber qual o momento certo é altamente difícil.
Exemplo você tem objetivos difíceis de se concretizar, porém é muito complicado saber se esse é ou não o momento certo para investir nesse objetivo. Ou ao saber abrir mão disso.

Adorei seu Texto Bruninho *--*

Laise disse...

É mesmo difícil adequar o querer, o poder e o dever fazer. Muitas vezes não sabemos o que queremos, muitas vezes queremos fazer algo mas não podemos, muitas vezes podemos fazer algo, mas não devemos. Tem que ter muito bom senso mesmo e procurar se autoconhecer. O probelma é que isso nem sempre é tão fácil e simples assim.

Laise disse...

Não acho que não se deva esperar a pessoa perfeita, não um príncipe encantado, mas a pessoa adequada, perfeita para você. Porque, ninguém sendo perfeito, então niguém poderia amar ninguém? É claro que ninguém preenche todas as expectativas de ninguém, mas pode preencher uma parte das expectativas e o resto a convivência se encarrega de adequar, através do respeito à individualidade de cada um e, é claro, havendo reciprocidade. Beijos!

Luiza Versamore disse...

Oi querido!
Aparentemente deveria ser facil a gente saber distinguir "o poder" de "o dever", e acho que dentro de nossa tentativa de evolucao espiritual esse tema `e imprescindivel de ser levado em conta. Nossa vida cotidiana `e regida em todos seus detalhes por esses simples verbos, mas nossa capacidade de coloca-los em pratica `e que nos diferencia de ser melhores ou sermos apenas, os mesmos de sempre. Atitudes! Isso `e que nos diferencia no mundo!
Adoro seus posts! Obrigada sou em quem digo, pois posso ter a oportunidade incrivel de ler seus textos sempre relevantes e atuais.
Beijos,
Luiza

Thay Negrão disse...

Na prática é tudo mais complicado...apesar de que hoje em dias as pessoas não sabem muito distinguir o que é certo ou o que é errado.
Você como sempre mandando bem nos textos!!!! Adorei...
Grande beijo!!

allmylife disse...

Oi..Bruno..Gostei mto do seu blog..desse texto mto sábio e coerente!! E passo a te seguir! bom final de semana p vc =D

PapoBacana disse...

Realmente essa é uma dualidade com a qual temos de lidar..saber quando podemos, quando é conviniente ou não..

ás vezes o certo ou errado pode ser uma linha tênue, quase que imperceptível...é necessário muito critério e atenção para agirmos corretamente...


belo post e oportuno..


abraços da jél..

Rai disse...

Passou a um tempo na globo, uma entrevista de Jô Soares. Ele falava com Mario Cortela e ele dizia justamente isso
"Nem tudo que eu quero eu posso, nem tudo que eu posso eu devo e nem tudo que eu devo eu quero"
Ta ai o lindo do meu professor de filosofia que passou esse video na sala
http://filosalex.blogspot.com/2011/05/mario-sergio-cortela-sendo-entrevistado.html

Beijos panda