terça-feira, 21 de junho de 2011

O BEM-PENSAR

Se existe uma coisa no mundo que é difícil de controlar é o pensamento.
Afinal de contas, você não pode simplesmente parar de pensar.
A mente é um instrumento dinâmico e não um aparelho com um botão on/off que você liga e desliga conforme as circunstâncias.

Os estudiosos dizem que nós temos milhares de pensamentos por dia, sendo que não temos a mínima consciência da imensa maioria deles.
Na verdade a coisa é tão complexa que você pode pensar em fazer alguma coisa e não fazê-la. Entretanto, você não pode pensar em não pensar em alguma coisa, porque o simples fato de pensar em não pensar nela já é uma forma de pensar nela no final das contas.

"Não pense em um abacaxi", e a imagem dele é a primeira coisa que aparece na sua tela mental.
Eis porque não devemos falar: "Não pense nada", pois isso é impossível.
O ideal seria dizer: "Pense em nada", pois mesmo sendo o nada um nada, ele é uma coisa para o pensamento se fixar, mesmo sendo um conceito abstrato.

Os estímulos exteriores que nos chegam à mente são inumeráveis, demandando a nossa constante atenção. A própria realidade de se ter órgãos de visão e audição faz você ter o imperioso impulso de pensar: você vê uma coisa e pensa no que viu; você ouve uma coisa e pensa no que ouviu.

Dessa forma, ao nos conscientizarmos disso, iniciamos um novo e grande desafio: como não posso parar de pensar, me esforçarei para sempre ter apenas bons pensamentos.
Teoricamente é fácil, mas a prática...

O que mais dificulta o nosso bem-pensar é a nossa tendência de tudo julgar. Nós vemos alguma coisa e temos a irremediável necessidade de emitir um julgamento sobre ela: isso é certo ou errado, é bom ou ruim, é verdadeiro ou falso, é bonito ou feio, e assim por diante.
Ainda é difícil vermos algo e termos uma atitude de simples contemplação: apenas observar a situação, objeto ou pessoa, sem emitir nenhum juízo.

Infelizmente, nós, pertencentes à civilização ocidental, não temos a cultura de realizar exercícios de meditação, de respiração, de pacificação da mente, o que certamente ajudaria na tarefa. E isso é sempre um fator gerador de culpa e ansiedade para as pessoas de boa-vontade, que querem melhorar-se, pelo fato de cotidianamente serem visitadas por maus pensamentos inesperados, e alguns até mesmo inoportunos.

Ora, o bem-pensar é um hábito e todo hábito é uma necessidade humana. O que equivale dizer que quem não os tem bons os terá maus; mas os terá de qualquer forma.
Desse modo, cabe-nos o esforço por desenvolver esse novo hábito do pensar bem. E como todo hábito, ele é adquirido pela repetição.
Você repete constantemente a ação de pensar positivamente e de não julgar, até que isso gere um novo automatismo mental, uma espécie de 2ª natureza.

Afinal, ser visitado por maus pensamentos é natural, pois estamos mergulhados em um mundo de vibrações heterogêneas. Mas o importante é não vitalizar o mau pensamento.
Ou seja, o problema não é a visita, e sim a vitalização.

Por exemplo: alguém faz algo com você que não te agradou. É provável que você seja visitado por um pensamento malsão referente a isso. É o hábito antigo querendo se impor.
Todavia, você não o agasalhará, evitando vitalizá-lo com pensamentos de ressentimentos e mágoa contra a pessoa, desejo de fazê-la algum mal, vingar-se, etc.

Essa visita do mau pensamento acontece como nas visitas cotidianas: o pensamento baterá à sua porta e você a abrirá naturalmente, sem angústias. Se for bom, você o deixará entrar; caso contrário, você fechará a porta e voltará para os seus quefazeres e, em alguns minutos, nem mais se lembrará dele.

Pois o lutar contra o pensamento é uma tarefa infrutífera, já que o mesmo agirá como uma mola: quanto mais você a empurra no sentido contrário, mais aumenta nela a força de retorno.
Como diria Carl Gustav Jung: "Aquilo a que você resiste, persiste."

Aí encontramos a diferença entre o ser "visitado" pelo mau pensamento (que é compreensível) e o "vitalizar" o mau pensamento (que já é uma questão moral).

O problema, é que, iniciadas as primeiras experiências (geralmente de resultados insatisfatórios), nos desestimulamos facilmente, julgando ser impossível alcançar a meta.
Ora, hábitos longamente cultivados, muitos deles por anos a fio, não serão substituídos de uma hora para outra, após poucas e tímidas tentativas.

Mas a mudança deve ser iniciada mesmo assim, através do mecanismo da repetição, com insistência e confiança na eficácia, pois hoje colhemos nos nossos hábitos os frutos de semeaduras negligentes estimuladas no passado.
A plantação das sementes dos bons pensamentos deve ser iniciada imediatamente e não postergada, sob o argumento da dificuldade.

Essa nova forma de pensar, agregando-se e tornando-se parte do comportamento, é o primeiro passo para a disciplina e o controle mental, totalmente canalizado para o bem, que virá oportunamente.

Bruno Gomes.
09/12/2010

7 comentários:

♥JÔ♥ disse...

Boa noite querido...
Acho até bonita essa história de ter somente bons pensamentos, mas sou uma das tantas que desistem nas primeiras tentativas frustradas
"Visceral" e intensa de mais para alcançar tamanho equilíbrio rsrs
Prometo continuar tentando ;)
bjos

Mariane Magno disse...

Adorei Bruno, mais ou menos 1 ou 2 dias atrás estava falando isso com Rafael, todos nós que vivemos de concurso e isso já é um incerteza somos pegos por pensamentos pessimistas. O que é normal porem o problema é o que você disse. Vitalizar esse pensamento, torna-lo rotina, ele necessariamente terá que ser apenas um visita rápida nada mais que isso.

Outra coisa que como você diz no texto eu fico a indagar "Como assim não pensar em nada?" Nossos pensamentos não possuem botão de liga/desliga.
É besteira, mas sempre fico me perguntando se minha cachorra ta pensando em alguma coisa. "Como será que ela pensa?" Ou se é que ela pensa. (Risos)

Pensamentos positivos atraem coisas positivas.
Beijoos ;**

LUZ disse...

Olá Bruno,
Como estás?
Li, com muita atenção, o teu texto, e pensei: aquele garoto, deveria cursar Filosofia.
Pensamento positivo é o que o mundo precisa. Carl Yang tinha e tem razão.
Melhor é não resistir, melhor é dar, entregar, isto no plano das coisas positivas, claro está.
Bjs de luz.

Laise disse...

O bem pensar é mesmo uma prática que devemos, mas nem sempre conseguimos alcançar. Nós, seres humanos, de um modo geral, temos o defeito de termos conceitos pré-concebidos em relação às pessoas e a determinados comportamentos humanos e a julgarmos tudo de acordo com o nosso ponto de vista, sem analisarmos se houve alguma ação anterior que provocou aquela determinada atitude. Uma coisa que funciona é tentar se colocar no lugar do outro, na medida do possível, e tentar enxergar que, se fôssemos aquela pessoa, com aquela história de vida, será que não agiríamos de forma semelhante? Ou então pensar se já não agimos de forma parecida em outras ocasiões. E isso nos faz relevar. É claro que raiva todo mundo sente, principalmente quando o fato nos atinge ou nos incomoda. Mas acho que podemos transformar as críticas que recebemos, a raiva que sentimos e os exemplos de comportamentos inadequados como estímulos para tentar melhorar e se superar. As idéias de vingança podem ser sublimadas e transformadas em luta, em esforço, em trabalho, em ajuda ao próximo, em amor. Tudo é passível de mudança. Se nós podemos mudar, porque o outro não pode? Os pensamentos pessimistas podem ser substituídos por outros alegres, por pensamentos de coisas ou pessoas que nos fazem bem e podemos tentar não alimentar aqueles pensamentos de fatos que nos desagradaram. Se um caminho não deu certo, podemos tentar outro caminho, pois sempre é hora de recomeçar. Ao invés de pensarmos nas coisas que não deram certo, podemos listar as situações nas quais obtivemos êxito, e isso nos fará nos sentir bem melhor. Por mais que você não tenha estudado o suficiente para uma prova, é interessante que você vá fazê-la sempre com o pensamento positivo de que você está dando o melhor de si, e esgotar o máximo de sua capacidade intelectual. Afinal, não somos perfeitos, e estamos aqui para aprender com os nossos erros, seguir os bons exemplos e evoluir. E, se não somos perfeitos, como podemos exigir que o outro seja perfeito? Muito bom o seu texto, nos faz refletir e associar com várias situações do cotidiano. Abraços!

Aline Diedrich disse...

As vezes é difícil afastar os pensamentos ruins... Mas... Precisamos sempre tentar...

Indiquei seu blog para uma TAG... É para falar sobre coisas que nós, blogueiros, gostamos... Se quiser conferir: http://alinediedrich.blogspot.com/p/tag.html

Germano disse...

Tive a impressão de já ter lido esse texto antes...

Não?

Bem, o que importa é que realmente manter bons pensamentos é algo bastante complicado para nós, em face de nosso estado evolutivo.

E o pior de tudo é que muitas vezes concretizamos os maus pensamentos em atitudes ainda mais vis!

Se pelo menos a humanidade somente tivesse os maus pensamentos e não os colocassem em prática, já seria um grande avanço!

O último passo a ser dado é nem ao menos pensar mal de quem quer que seja ou cultivar um mal pensamento diante da Vida.

Essa conquista, no entanto, há de ser alcançada por todos, sem exceção! :)

Bruno Gomes disse...

Em resumo, naquele que nem sequer concebe a idéia do mal, já há progresso realizado; naquele a quem essa idéia acode, mas que a repele, há progresso em vias de realizar-se; naquele, finalmente, que pensa no mal e nesse pensamento se compraz, o mal ainda existe na plenitude da sua força.
Num, o trabalho está feito; no outro, está por fazer-se.
Deus, que é justo, leva em conta todas essas gradações na responsabilidade dos atos e dos pensamentos do homem. (Allan Kardec)