sábado, 21 de maio de 2011

A MÁSCARA

Já pararam para pensar o quão pejorativo é o conceito de máscara que possuímos?
Quando sabemos que alguém usa uma máscara nos relacionamentos sociais, imediatamente censuramos e julgamos essa pessoa como falsa e hipócrita, por não se mostrar aos olhos do mundo conforme realmente é.

Fui despertado para tais reflexões através de uma conversação que ouvi recentemente, onde uma amiga dialogava com outra, algo irritada: "Fulana é muito mascarada. Nunca sabemos quais são as suas reais intenções. Ela é muito perigosa e temos que ser cautelosas quanto a isso."

Não sei o porquê, mas aquele comentário fez nascer em mim uma espécie de inquietação íntima e não parei de pensar no assunto nas 2 horas que se seguiram, onde tudo o que eu julgava certo sobre o tema se me apresentava errado e vice-versa.

O primeiro questionamento que me veio à mente foi: "Existe alguém no mundo que não use máscaras e se mostre conforme realmente é em todas as ocasiões?"
Você se mostra como você é em sua casa para o seu chefe? Para os seus colegas de trabalho? Para o seu/sua namorado(a)? Durante uma importante entrevista de emprego?

E isso nos leva irremediavelmente a uma nova pergunta: "É válido nos mostrarmos como realmente somos em todas essas situações, patenteando perante todas as pessoas a nossa bagagem de conflitos, dificuldades e fraquezas?"

É oportuno, por exemplo, eu me mostrar ao meu superior hierárquico no ambiente de trabalho, pela obrigatoriedade da execução de uma nova tarefa, da mesma forma como me mostro à minha mãe quando não quero lavar as louças sujas no ambiente doméstico?
Essa demonstração corajosa de "ser sempre o que sou" agregaria algo nesse contato, favorecendo a convivência de ambos, ou traria mais inconvenientes do que benefícios?

E, dessa forma, após responder a mim mesmo todas as interrogações acima, eu cheguei à conclusão de que todos nós usamos máscaras. Inclusive eu. Todos os dias. É inevitável.
As máscaras ainda são uma necessidade emocional que possuímos e não podemos, por enquanto, descartar.

Elas são moldadas por nós de acordo com as diferentes necessidades e momentos nos quais nos encontramos, e adequadas, cada uma delas, a determinadas circunstâncias da vida.
Tal como uma vestimenta que usamos e que é correspondente aos tipos de compromissos e locais a que somos chamados a estar; mas que continua sendo apenas uma indumentária que nos cobre, e não nós mesmos.

Quem se mostra como realmente é durante uma paquera (indiscutivelmente o contato mais mascarado que existe), quando se quer conquistar outrem, demonstrando o que se tem de melhor?
O homem usa a máscara do rapaz bom, educado e atencioso, enquanto a mulher usa a da mocinha simpática, frágil e doce.
Por que haveria necessidade de cada um mostrar nesse momento todas as suas torpezas e fragilidades morais, quando daquele relacionamento poderá advir o amadurecimento do caráter de ambos através da experiência baseada no carinho e na ternura?

O problema não está nas máscaras, especialmente quando se tem plena consciência de que elas representam tão somente uma parte do que somos e não "o todo" de nós.
O risco está em se viver exclusivamente da máscara e, o que é pior, julgar-se ser a máscara, gerando uma perda na identidade e a mutilação de um pouco daquilo do que realmente se é.

Isso faria com que perdêssemos algo do que somos em essência, preocupados que estaríamos em sempre manter essa imagem temporária para os outros, fugindo de nós mesmos e receando o enfrentamento com a (nossa) realidade, mergulhados em um conflito onde a questão final seria: "Eu sou eu? Ou sou a máscara que uso?"

Essa análise guardaria certa analogia com a da mentira?
Quem nunca disse uma mentira?
Quem nunca mentiu para uma pessoa querida, omitindo algo, por saber que a verdade não seria suportada por ela naquele momento?
Quem nunca escondeu uma informação de alguém a quem ama, transferindo a divulgação para um momento apropriado, quando a pessoa estaria suficientemente fortalecida para digeri-la com serenidade?

Então seria a mentira, assim como a máscara, às vezes aplicável e útil, conquanto que não se viva da mentira e, o que seria ainda mais lamentável, não se minta ao ponto de considerar a mentira como uma verdade?

O homem ainda não tem a capacidade de isentar-se de todas as suas máscaras e se contemplar totalmente desnudo diante de si mesmo, quanto mais de colocar-se de forma equivalente perante os severos olhos do mundo. Não possuímos suficiente maturidade para tolerar semelhante exposição do nosso verdadeiro "eu" em caráter integral.

É como o mito bíblico de Adão e Eva no Paraíso: quando se viram totalmente nus, procuraram se cobrir e esconder-se.
E essas coberturas e esconderijos nada mais são do que as nossas personas do dia a dia, usadas até o momento em que não forem mais necessárias, consequência natural do nosso crescimento e da integração do que realmente somos com aquilo que projetamos.

Bruno Gomes
19/05/2011

13 comentários:

PapoBacana disse...

Ótimo texto bruno..
Penso como você tbm..
O mundo em que vivemos exige que usemos mascaras o tempo todo..

Seu texto me fez lembrar um serial global “ O SUPER SINCERO “
Onde o ator principal falava tudo que pensava que falava tudo que pensava e afastava as mulheres dele..Todo mundo tem defeitos e imperfeições .e nem por isso eles tem de ser mostradas a todos..
A lei da convivência é deixar de lado nosso verdadeiro “ eu” em certas situações para conviver melhor no mundo e com as pessoas, evitar gerar mágoas e etc..
Nós somos seres multifacetados, temos uma mascara para cada ocasião, uma para o trabalho. Uma para o namorado, uma para os amigos e uma em casa..e isso não quer dizer que nenhuma delas sejam falsas.. São apenas varias formas do seu EU..

Abraços

Rai disse...

Ta bom panda, legal o texto
bjos

Thais Lima disse...

Boa noite Bruno!
Que texto legal, é bem interessante a sua visão diante aos acontecimentos do dia-a-dia.
Acredito que todos nós usamos uma máscara, isto é o natural do ser humano, assim como você cita em seu texto que algumas situações somos obrigados a nos comportar de tal maneira.
O problema não está na máscara, e sim quando isso toma posse de você, quando você passa a viver com a máscara e já nem saiba quem é você de verdade, o problema do ser humano é que muitos não se conhecem, não sabem o que querem.

Gostei desta parte que diz ''O risco está em se viver exclusivamente da máscara e, o que é pior, julgar-se ser a máscara, gerando uma perda na identidade e a mutilação de um pouco daquilo do que realmente se é.''
E quantas pessoas não fazem isso ?
O problema está no uso da máscara em forma negativa e não construtiva para si próprio.
Vendo este texto me lembrei de uma coisa que meu professor me disse, a frase diz assim: '' Você é o que os outros pensam que você é ?
Você é o que você pensa que você é ?
Ou você é o que realmente você é ? ''

Passei a questionar sobre isso também, e vejo que hoje em dia existem pessoas que vivem nestas hipóteses, feliz daquele que é o que realmente é, saber usufruir de sua personalidade a fim de não se perder no caminho.

Bom final de semana.
Fica com Deus!

Mariane Magno disse...

Eu adorei o texto, sempre pensei nisso para falar a verdade. Tiro o exemplo de mim mesmo, que pouquíssimas pessoas me conhecem de verdade, de dentro para fora... Não que eu não queira me mostrar, mas vejo muito mais como forma de defesa.

Eu sou muito reservada não costumo me abrir com as pessoas facilmente, e muitos me julgam pela imagem que eu passo sem procurarem saber como sou na realidade... Porque a realidade é que poucos querem saber como você de verdade.

Como eu costumo dizer sobre essas máscaras no dia a dia.. Creio que seja nós nos diferentes ambientes, mas reservados e conservadores. É uma máscara, mas não chega a esconder completamente a essência da pessoa. Podemos captar como ela é não de verdade mas de longe.

Mas há aqueles que vivem dessas máscaras por medo de mostrar o que é, e as pessoas as julgares ou por não saber realmente como é ou o que ela é... Por causa de todas formas fictícias de agir diante da sociedade, sem saber qual é a sua própria essência.

Beeijos Bruno *-*

Thay Negrão disse...

Todo mundo usa um tipo de máscara. Mas na verdade, cada uma com sua intenção. Algumas pessoas usam para se proteger, ou para se promover. O que não se deve aceitar são pessoas que fantasiam demais a máscara e quando ela cai, não foi nada do que a gente achava ser.

laise disse...

Concordo com você em seu texto. Todos nós usamos máscaras em nosso dia-a-dia, até sem perceber, já que as normas sociais nos moldam dessa forma. A criança já é condicionada desde pequena a aceitar um presente e agradecer, mesmo não gostando dele, por educação. Se fóssemos "nós mesmos" sempre, ficaríamos muito expostos e seria algo muito estranho, objeto de chacota, de discórdias, etc. É claro que, às vezes é bom sermos nós mesmos e desabafarmos nossos problemas, conflitos, angústias, aquilo que sentimos, para as pessoas nas quais confiamos e sabemos que irão nos compreender. Isso até nos aproxima delas. Com as máscaras nós escondemos os nossos defeitos, mas corre-se o risco de escondermos também nossas qualidades. Acredito que as máscaras também sejam uma forma de defesa, que é inegavelmente usada por todos, pelo menos, em algumas situações.

LUZ disse...

Olá Bruno,
Sou Portuguesa, e passei, casualmente, por aqui.
O teu blog é sério, leve e profundo. Falas de coisas sérias a brincar. És inteligente. A música de fundo, enfeita o ambiente.
Que lufada de ar fresco!!
Parabens.
Tenho tb um blog, se te apetecer, visita-o, não tem porta.
Abraço com luz.

♥JÔ♥ disse...

Bom dia =D
Somos todos mascarados nesse grande baile que é a vida...
Será que realmente sabemos quem existe por tras das tantas máscaras?
ótimo texto menino...alias como sempre neh?
Um forte abraço pra ti ;)

Pedro Camilo disse...

Falando de máscara... é daquele filme, eh? - rssssssssssss.

Brunão, você sempre 10.

Aquele abraço!!!

Thay Negrão disse...

Tomou doril ?? rs Beijos!!!

★★ GIZA ★★ disse...

OI!!! ADOREI SEU BLOG E ESTOU SEGUINDO. ME SEGUE? WWW.AMORIMORTALL.BLOGSPOT.COM
BEIJOS

LUZ disse...

Olá Bruno,
Depois desta ausência de palavras, apetece-me tanto escrever... falar.
O teu texto " A Máscara" só tem 12 (DOZE) comentários. Já percebeste, que estou a ser irónica.
É um texto muito inteligente, como tu. Quantos de nós não usamos, por vezes, máscara?
Beijinho com luz.

Leandro dMF disse...

Isso mesmo meu caro, como há muito disse Maquiavel em "O Príncipe".