domingo, 24 de abril de 2011

ABANDONO DO MÉTODO

Não suportando não suportar alguma coisa
Não tolerando não tolerar
Contemplando o invisível
Tocando o intangível
Tornando finito o infinito
Vendo estrelas em lágrimas
Sorrindo de pesadelos
Sonhando só ao amanhecer
Santificando o pecado
Sofismando as verdades
Destruindo para reconstruir
Paradoxando a simplicidade
Desabrochando flores em pântanos
Transformando mínimos em máximos
Reconhecendo luz entre trevas
Crescendo na dor
Cortando as asas
Pousando para voar
Escravizando-me para libertar-me
Contando o todo na parte
Visualizando o inteiro no meio
Fazendo conhecidos todos os segredos
Amando o que não é amável
Acariciando o não afável
Desapegando o apego
Admitindo beleza na feiúra
Ironizando toda forma de futilidade
Descobrindo grandeza na humildade

Bruno Gomes
24/04/2011

sexta-feira, 15 de abril de 2011

ESPELHO, ESPELHO MEU

Espelho, espelho meu
Declaro diante de ti, amor incondicional
Àquele que vejo no teu reflexo
Pois ele, sou eu

Prometo, espelho meu
Saciar-me de mim mesmo
Até a última gota
Do mel que é meu, do néctar que sou eu

Pois, caro espelho meu
Quem deve amar-me e querer-me bem
Alegrar-me e completar-me
Senão esse que vejo em ti, que sou eu?

Se feio, bonito
Se chato, antipático
Se romântico, ingrato

Que importa, espelho meu?
Nego-me a ser infeliz
Pois esse, sou eu.

Bruno Gomes
15/04/2011