domingo, 30 de janeiro de 2011

O MERGULHO

Canta ao meu ouvido a palavra eterna
Que me leva na direção luminosa das estrelas
Canta a suave melodia que liga o céu e a terra
E que me faz voar leve entre as borboletas

A sinfonia celestial soa e eu estremeço
As trombetas anunciam a marcha ascensional
O silêncio do deserto promoverá um novo recomeço
Pelas estradas áridas, por montanhas e lodaçal

As fileiras numerosas alinham-se pelo infinito
Bandeiras ao vento, prontas para atender ao clamor evolutivo
Em meio a elas, receoso e pequeno menino
Temeroso e expectante ante o mergulho repentino

A ordem vem do Alto, poderosa
Alvitra o cumprimento impostergável do dever
Caminho ansioso, acompanhando a palavra firme e zelosa
Menino inexperiente, convocado intimoratamente a vencer

Oh! A maré não mais me permite retornar
Descemos agora, penosamente de encontro ao desconhecido
Percebo tardiamente e com temor no olhar
Que estou despreparado e que tombarei inevitavelmente vencido

Com lágrimas nos olhos, tento relembrar o objetivo
Por que estou aqui, dolorosamente fora do ninho?
E a tarefa reaparece, como em Verbo Vivo
"Ama, meu filho! Ama e nunca estarás sozinho"

Ergue-se ao meu lado no auge da batalha
Com o seu grande estandarte, oh, poderoso general
Molda o meu espírito no calor da terrena fornalha
Reconheço-me fraco e impotente, apesar de Imortal

Por que subitamente me escolheste?
Por que tão firmemente confia em mim?
Quantas oportunidades já me ofereceste?
E quantas vezes já fali, em dor sem-fim?

"Ama! Ama ainda mais!"
"Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração"
Auxilia-me Senhor, a achar no amor o porto, o cais
Para os meus sentimentos desencontrados em turbilhão

"O que temes tanto, meu filho?"
"Por que tanta aflição e tanta dor?"
"O meu jugo é suave e leve é o meu fardo"
"Guardai os meus mandamentos e vos darei um outro Consolador"

Pareço agora dormir
Em um mundo ingrato e que me assusta em aluvião
Com novos olhos materiais começo a sentir
O doce ninar vindo das Suas mãos

Pronto para ser o sal da terra
Deixo para trás o menino frágil e moribundo
Ajuda-me a esquecer a tristeza que agora se encerra
E a aprender de Ti que venceu o mundo

Bruno Gomes.
30/11/2008

2 comentários:

Germano disse...

Que lindo!
Retrata bem nossa condição perante o Mestre.

Sigamos sempre, caro amigo, porque Ele nos auxilia no caminho.

laise disse...

Lindo também! Tu és um verdadeiro poeta!